como foi sua black friday?

esses dias foram de observação.

a black friday é uma oportunidade de percebermos o quanto a necessidade consumista - para algumas pessoas - pode passar de limites aceitáveis e apresentar uma faceta desoladora, nos tirando as perspectivas de curto prazo quanto à construção de um mundo mais leve e desprendido.

cenas de pessoas “aproveitando” promoções para comprar, se empurrando e até brigando por produtos, além poluição visual e sonora por onde quer que passemos.

do outro lado, lojas buscando faturar e/ou desencalhar estoques, vendedores pressionados por suas metas de venda e pela competitividade entre eles mesmos, lutando contra o desemprego eminente e as incertezas.

alguns textos que li comparam a insanidade de comprar na black friday com a do natal, mas eu acho diferentes: no natal, o apelo comercial está maquiado de “espírito” cristão, fraterno e de renovação. na black friday, no entanto, não há narrativa alguma a não ser “compre!”. o consumismo em sua forma menos velada.

não quero aqui fazer juízo sobre o ato de comprar, de consumir, algo que pode ser bom e servir a nós como reconhecimento de nosso trabalho. o minimalismo não quer dizer voto de castidade ao consumo.

pelo contrário.

o minimalismo versa sobre o consumo capaz de nos proporcionar alegria, propósito e utilidade e não ansiedade e até sensação de impotência frente a um momento em que possamos estar sem dinheiro e perdermos autoestima ou nos endividarmos para - apenas - participar dessa tourada insana.

eu mesmo fiz isso há tempos, aprendi a dizer não ao consumo sem propósito com muitos erros e esforço. ainda aprendo, diariamente.

então, se me permitir, espero poder dizer o quanto torço para você ter aproveitado muito sua black friday para caminhar, ir a um parque, a uma exposição ou ter tomado um café com um bom amigo. e se escolheu comprar, que tenha feito uma boa compra, não pelo desconto, mas pelo propósito.

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